O que um teste de integridade não é?

De alguns meses para cá, o teste de integridade caiu na boca do povo. A razão para isso foi uma polêmica que se estabeleceu com o debate das 10 Medidas Contra a Corrupção, do Ministério Público Federal, que sugere a possibilidade da realização de teste de compliance dos agentes públicos sem o consentimento dos avaliados.

Essa interpretação da medida contra a corrupção parte do princípio de que testes de integridade seguem a linha do antigo Teste do Polígrafo: o entrevistado é julgado como culpado ou inocente. Na verdade, as avaliações não são um processo com integridade questionável, como a mídia tem demonstrado, e sim algo muito mais educativo do que julgador.

A abordagem permite identificar a tendência das pessoas diante de situações que desafiam a honestidade, os valores, as leis e a moral. A ideia é usar questionários embasados cientificamente para entender a provável resistência ou maleabilidade nessas circunstâncias, atuando de forma transparente para com o avaliado.

Tudo isso terá grande impacto para as organizações e será um serviço relevante tanto de auditoria como de gestão de pessoas. Então, não deixe de ler o conteúdo abaixo, para entender por que o teste de compliance é essencial e quais são os seus principais benefícios para as organizações.

Teste de integridade: separando o joio do trigo

Um teste de integridade deve ser fundamentado na dimensão humana do risco, tendo o objetivo de construir e fortalecer uma cultura ética na empresa ou instituição onde está sendo aplicado. Esse princípio humano surgiu muito em função dos estudos realizados para a criação do Pentágono da Fraude.

Pentágono da Fraude criado para predizer e combater tanto fraudes quanto o assédio dentro das organizações

Algumas interpretações distorcem o sentido e propósito de um teste de integridade, desconsiderando a necessidade de desenvolver e educar os colaboradores para que saibam agir quando confrontados com um dilema ético.

Recentemente, um candidato ao cargo de gerente comercial apresentou baixa resiliência quanto à manipulação de resultados, pois ele acreditava que podia “guardar um bom resultado deste mês para o próximo como garantia”, isto sem a ciência e anuência da empresa.

Quando apresentamos as implicações dessa manipulação de resultados para a organização, ele se deu conta de que fazia isso há anos por acreditar ser o certo, mesmo porque aprendeu isso do seu antigo gestor.

Se entrássemos em uma discussão do que é “certo ou errado” de maneira binária, teríamos que ficar em um processo exaustivo de convencimento do que é ético nesta ou naquela organização, cultura e contexto.

Mas, quando entendemos a visão do profissional e deixamos claro que aquela atitude não será aceita, saímos da subjetividade e aplicamos na prática o que esperamos do comportamento dele, mitigando assim uma possível fraude ou mesmo assédio.

A análise deve ser profunda e consistente, mas a aplicação deve ser a mais simples possível para facilitar a sua implantação e dinâmica o suficiente para não afastar bons profissionais pelo cansaço.

O que um teste de integridade não é

Agentes de Compliance, profissionais de RH e gestores não devem apenas conhecer um verdadeiro teste de integridade, precisam também estar atentos para saber identificar características do que um teste de integridade não é. Por isso, detalhamos neste artigo alguns fatores importantes para ajudar você a fazer essa diferenciação.

Ter uma abordagem policialesca

Vivemos uma época de colaboração e compartilhamento. Nada fica oculto e o perfil dos novos colaboradores e funcionários é de abertura e transparência. Nesse contexto, uma abordagem não humanizada deve ser, de imediato, descartada.

Um teste de integridade não pode partir de uma premissa investigativa com o objetivo de construir uma prova contra determinada pessoa e, em conseguinte, puni-la. Essa prática não atua no cerne da problemática, sendo assim, pouco ou nada contribui na construção de uma cultura ética que evite fraudes, assédios e corrupções.

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Realizado sem o expresso consentimento

A preservação dos direitos individuais e da privacidade é inquestionável, logo a aplicação de um teste de integridade necessita do consentimento do participante.

Simular situações para testar a conduta moral e a predisposição para atitudes antiéticas de um colaborador sem o seu irrestrito conhecimento consiste em uma tática rudimentar e não eficaz, pois não age no âmbito da educação ética.

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Ser uma simples ferramenta de triagem

Um teste de integridade pode e deve ser um aliado relevante de recrutadores no momento da seleção de novos colaboradores, no entanto, isso não significa utilizá-lo simplesmente como uma ferramenta de triagem.

O objetivo central não está em punir candidatos que apresentem um grau de integridade menor do que os demais, mas em proporcionar um plano de desenvolvimento que ajude o participante na conscientização e reflexão de comportamentos que devem ser revistos.

É importante destacar que as pessoas apresentam vícios organizacionais, repetem comportamentos aprendidos sem questionar porque estão fazendo tal ato.

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Carimbar pessoas em éticas e antiéticas

Evidentemente, cada participante de um teste de integridade terá um resultado único, apontando maior ou menor resiliência ao lidar com situações eticamente questionáveis.

Mas a função primordial de um teste nesse sentido deve ser educativa, buscando soluções que ajudam a pessoa a se desenvolver nos aspectos de sua resiliência, jamais catalogando indivíduos em éticos e antiéticos, ou qualquer outra nomenclatura.

Essas características apontadas acima distinguem, pela essência, o que deve ser considerado e utilizado como um teste de integridade, e o que devemos descartar. Mas alguns outros pontos também merecem atenção, tais como:

Como o teste de compliance funciona na prática

O teste de integridade com fundamento na dimensão humana tem o objetivo de identificar a resiliência do profissional em relação aos dilemas éticos. Com esse conhecimento, nortearemos o desenvolvimento de pessoas e de organizações, buscando reduzir a distância entre os padrões de esperados e obtidos.

No caso do Potencial de Integridade Resiliente (PIR), a aplicação é pautada em estudos de Psicologia, especialmente na área comportamental. Assim, além de o resultado ter embasamento técnico, as ferramentas utilizadas são bastante sofisticadas, não deixando que o avaliado manipule o teste.

Nesse sentido, o relatório final supera aquilo que a pessoa declara em uma entrevista, reunindo padrões ocultos, avaliando a linguagem corporal, buscando incoerências, observando microexpressões etc.

Questionários

Inicialmente, isso passa pela aplicação de questionários de múltipla escolha, em que a pessoa é chamada a avaliar situações e tomar decisões rápidas, a fim de revelar suas tendências diante de dilemas éticos.

Depois disso, a avaliação é complementada com perguntas abertas. Aqui, ela falará de suas motivações, conhecimentos e valores relacionados ao tema, sem que seja questionada diretamente sobre a prática de atos inadequados.

Pense que, ao agir diante de um dilema, haverá razões que contribuem e razões que prejudicam a decisão ética. Por meio de questões abertas, é possível mensurar a força dessas condicionantes. O que afasta a pessoa de um ato de corrupção é suficientemente forte frente ao que a aproxima?

Aqui, existirá um gap. Entre o padrão ideal e a tendência revelada nos questionários, veremos uma lacuna, que pode ser mais ajustada ou mais ampla. Logo, a partir desse ponto, podemos trabalhar estratégias de melhoria e treinamentos, buscando avanços no alinhamento com as expectativas de compliance da organização.

Gravações de vídeos

Algumas respostas são filmadas para que, com a aplicação de métodos científicos, seja possível avaliar os aspectos verbais e não verbais, como reações, linguagem corporal e micro expressões. Isso faz com que o teste tenha diversas camadas de segurança para impedir que a pessoa simplesmente diga o que a empresa quer ouvir.

A combinação de ferramentas também cria um incentivo para o avaliado ser franco. É que cada camada aumenta a certeza de que as incoerências serão pegas, logo, mentir é apenas uma forma de se prejudicar durante o teste de compliance.

Potencial de Integridade Resiliente (PIR)

O material é enviado para especialistas, que serão capazes de mensurar a aptidão do profissional para resistir diante de dilemas éticos. Portanto, o objetivo não é separar pessoas perfeitas e imperfeitas, mas entender as tendências existentes em cada indivíduo dentro de um contexto.

Além disso, o teste de compliance tem o potencial de fazer a análise preventiva e detectiva. A primeira mapeia padrões e tendências que aumentam o risco de problemas éticos, enquanto a segunda afere problemas já existentes. Igualmente, ele é essencial para entender a convergência de valores entre pessoa e organização.

Sendo assim, diferentemente do polígrafo e da pesquisa de antecedentes criminais, que inclusive podem gerar problemas jurídicos, o alvo não é fazer a prova de fatos contra o profissional, mas entender o risco do fator humano na empresa e buscar melhorias internas. 

A importância da integridade no trabalho

A busca por minimizar os problemas éticos se justifica de diversas formas. Além disso, o contexto, posterior a descobertas de casos de corrupção e comoção social por mais moralidade, direciona as empresas para uma maior preocupação com o tema.

Cuidar da reputação do negócio

Primeiramente, existem os riscos à reputação. Cada vez mais, faz parte dos critérios de escolha dos stakeholders — acionistas, sócios, colaboradores, clientes, órgãos públicos etc — a conduta ética de uma empresa. Logo, não estar em compliance significa reduzir o potencial de relacionamento e negócios com essas partes interessadas, bem como o valor da organização.

Atrair e reter talentos

Além disso, os melhores profissionais desejam trabalhar em organizações que deem perspectiva de crescimento e significado ao trabalho. Logo, o prejuízo à marca empregadora, causado pelos problemas éticos, reduz a competitividade por talentos, levando consigo o potencial do capital humano da empresa.

Manter um ambiente de trabalho ameno 

Também é importante mencionar que os problemas éticos afetam o ambiente de trabalho. Clima organizacional, satisfação dos colaboradores e rotatividade são indicadores-chave dentro do RH e que sofrem a influência negativa de fraudes, mentiras, assédio e demais desvios de conduta. 

Evitar processos e punições legais

Um quarto ponto são os aspectos jurídicos. Proibição de ser fornecedor de entidades públicas, multas, indenizações, responsabilização dos sócios, rescisões indiretas e rompimento de contratos são apenas alguns exemplos dos inúmeros riscos jurídicos que podem ser ocasionados por problemas éticos.

Melhorar os resultados financeiros

Por fim, a integridade no trabalho terá reflexo nos resultados empresariais, como aumento de receitas, redução de custos e lucratividade. Podemos notar uma relação de causa e efeito entre os benefícios apontados e o retorno oferecido pelo negócio.

No balanced scorecard, por exemplo, as atividades voltadas para integridade fazem parte da perspectiva de aprendizado. Dessa mudança, derivam as transformações em processos e na entrega de valor para as partes interessadas, afetando os resultados financeiros.

Os motivos para contar com uma consultoria especializada

Para aplicar o teste de compliance, é importante buscar uma empresa que tenha o know-how na área. Afinal de contas, a coleta e análise dos dados exige a aplicação de métodos comprovados cientificamente, e o PIR, que é o teste mais adequado, exige o licenciamento pelo IRPC Brasil.

Aqui na S2 consultoria você terá todo o apoio necessário. O teste PIR é online e pode ser facilmente aplicado aos profissionais. E, após a avaliação do material por especialistas, a empresa receberá o plano de desenvolvimento ético, tanto no nível individual como de intervenções na organização.

Sendo assim, para melhorar a resiliência dos profissionais e contar com os benefícios da integridade no trabalho, o teste de compliance será o ponto de partida para mudanças internas, e você não terá dificuldades para aplicá-lo dentro da lei, porque contará com o auxílio dos melhores especialistas.

Caso tenha interesse em aprender ou aplicar um verdadeiro Teste de Integridade e desenvolver uma cultura ética em sua organização, entre em contato conosco e entenda nossa atuação mais a fundo!

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